quinta-feira, dezembro 10, 2015

Carta para Tereza - III



Bom dia!

Olá Tereza que bom que respondeu minha carta. Deve ter sido difícil pra você ver que o seu relacionamento não estava te fazendo bem. Eu sei que você leu minha carta depois que descobriu tudo, mas agradeço por você ter me entendido, ter visto que eu só queria a sua felicidade. Não se preocupe eu nunca iria lhe dizer aquela velha frase: "Eu lhe avisei!", este não é meu jeito, acho que você não se lembrava mais do meu jeito pelo distanciamento que criamos.

Olha, não se preocupe... eu sei que uma separação dói, eu sei que lágrimas são inevitáveis, mas eu sei que você é forte suficiente para enfrentar isso. Você precisa se recuperar, se amar, se curar e depois poderá dar a oportunidade para alguém fantástico te conhecer. Quando a gente transmite bons sentimentos, alegria e se sente feliz com nós mesmos podemos atrair muito mais disso para nós.

Por falar em sentimentos ruins, Tereza, pare de guardar rancor, isso não é bom pra você, faz muito, mas muito mal a você! Mais do que qualquer outra pessoa. O outro de quem você guarda rancor não sente nada e em nada é atingido. Você é a única prejudicada, não percebe o quanto isso é ruim? E deixe de orgulho bobo, saiba conversar, saiba escutar, nem sempre você está certa e se você estiver certa mas o outro não aceitar, respeite a opinião alheia. Isso fará você se sentir melhor...

Eu queria te dizer que você é linda, seu corpo é lindo e você não precisa ter vergonha. Não tenha vergonha de amar. Não tenha vergonha de amar outro ser, outro corpo, outra alma. Quando amamos e nos entregamos de verdade não há por que ter vergonha ou se reprimir, se há amor e ele é recíproco não há o que ter vergonha, se a confiança é recíproca tudo fica conectado. É uma troca com o outro, uma troca de energias e sentimentos. Tudo isso você precisa entender e se dispor a viver...

Apesar de você não ter me dito nada sobre o final do seu relacionamento com detalhes do que aconteceu, do que você descobriu e sua família não chegar a comentar sobre este assunto comigo, eu vi em seus olhos, em sua tristeza, como deve ter sido doído... Vi isso naquele dia em que nos encontramos sem querer e paramos para tomar um café, provavelmente você ainda não tinha lido minha carta...  

Você talvez não saiba, mas te conheço bem, sei que insisto em te chamar de amiga apesar de sentir que não confia tanto em mim. Você não gosta de ouvir, talvez por isso não considere ninguém com amigo verdadeiro, porque sempre que alguém lhe diz verdades você não aceita. Por isso não confia em mim. 

Eu sei você nunca me disse isso, mas eu sinto... Muitas coisas não são ditas, não são feitas, mas nem por isso deixam de transmitir o que são. Silêncios dizem muito. Eu desejo a você amor, felicidade, alegria! Alegria verdadeira, aquela que não é só do sorriso pra fora, mas sim aquela que vem da alma. Aproveite essa oportunidade de vida, é a sua única, quero te ver feliz, escolha ser feliz por favor... 

Não sei se vai me responder, mas fique bem...


domingo, dezembro 06, 2015

Crys Lira - Miguilim Inacabado - Semente Cia de Teatro


Costumo dizer que cheguei aos 45m do segundo tempo na construção desse maravilhoso espetáculo. Cheguei assim meio que sem querer, pra rever os amigos, pra voltar a fazer parte do grupo que estava no meu coração. 

Tinha passado dois anos afastada. Nesse período, terminei meu curso de pedagogia e tive minha filha Helena, meu grande amor. Esse tempo afastada encheu meu coração de saudade do teatro, do ser teatro, do viver teatro...

Quando cheguei no processo, a família Semente já estava há quase um ano de preparação. Recebi como presente a personagem Nha Nina, mãe de Miguilim. Nina mora no Mutum, lugar que não gosta e sonha em sair de lá, sonha em viver outra vida. Ao me colocar em seu lugar, vi como é dolorido você querer realizar seu sonho, sair, ver coisas diferentes e não poder. Para mim ela é uma personagem complexa. Ao mesmo tempo que ela quer descobrir novos mundos, ela não se move do lugar onde está. A dramaturgia do espetáculo é criada a partir da obra de Guimarães Rosa -  Campos Gerais: Manuelzão e Miguilim.

Nina sofre com a morte de Dito um de seus filhos seis filhos e eu como mãe sinto por ela a dor de perder um filho. Toda mãe ao se imaginar perdendo o fruto do seu ventre com certeza vai sofrer e vai entender como é esse sentimento tão dolorido.
Descoberta da doença de Dito           

Morte de Dito
Nina se sente infeliz em seu casamento. Ao se casar imaginava que sua vida seria diferente, cheia de realizações e totalmente diferente do que ela estava vivendo. Em seu casamento o que estava recebendo era: brutalidade, falta de carinho, desamor e sofrimento. Seu sofrimento de mulher "mal amada" pelo marido, mistura-se a uma melancolia, a uma nostalgia de algo que não viveu e que por fim não sabe se irá viver.

Envolvimento com Terez irmão de Bero
Essa falta de amor, de alegria ou de algo que lhe desse um motivo pra viver, a faz procurar emoção em relacionamentos extraconjugais, traindo o marido com seu próprio irmão e depois com Luisaltino empregado de seu marido. Nina pode ser tida como um reflexo das ações da mãe que era prostituta. Por fim, depois de seu filho Miguilim adoecer e ela sofrer com a possível morte de mais um filho, ao mesmo tempo que seu filho se cura seu marido Bero se suicida. Mais um sofrimento. Depois de todo o sofrimento seu filho Miguilim vai embora com o Médico José Lourenço, Nina se casa com Terez irmão de Bero e sonha mais uma vez em ser feliz. Porém não sai do Mutum...
Doença de Miguilim

Morte do Bero
Miguilim e o Médico
Nina fica com Terez e Vó Izidra vai embora

sexta-feira, dezembro 04, 2015

Carta para Tereza - II



Oi Tereza,

Como você está? já faz um tempo que não nos vemos. Lembro que tinha tentado várias vezes lhe falar sobre aquele assunto... mas não consegui, até que um dia sentei ao seu lado e lhe disse mais uma vez sobre o seu relacionamento. Lembra que fui passar uns dias em sua casa e nos dias que estava lá você passou a sair de casa e visitar outros parentes junto comigo. Eu sei que às vezes minha presença te incomoda, pois quero conversar sobre certas coisas e você não gosta e muitas vezes eu não entendo o tom de sua voz e fico com raiva, então encerramos por aí. Pelo menos o tempo que passei com você, serviu para você sair um pouco. Graças a Deus você conseguiu se levantar e reagir, saiba que estávamos empenhados nisso, digo estávamos pois falo de nós que te queremos bem.

Voltando aquele assunto, eu te contei algo sobre o seu relacionamento que já estava tentando falar há tempos. Claro, depois que eu falei, você achou que o que viram ou disseram ver, poderia não ser verdade. Você queria provas, fotos, datas, detalhes e eu tinha somente palavras, sinto, não sou uma detetive. Senti muito por ter te contato tudo o que me disseram, assim sem provas. A única coisa que queria era te abrir os olhos. 

Depois de conversar com você mais algumas vezes vi que o problema realmente estava em você. Sabe, ele podia dizer que não queria te ver conversando com seus amigos homens porque tinha certeza que eles te queriam ou mulheres porque na cabeça dele, te levariam pra outros caras ou trariam recados ou sei lá, e você acabou aceitando ou mediando. Ele poderia mentir sobre um monte de coisas, sobre praticamente tudo... mas o problema estava em você saber, às vezes descobrir e simplesmente rir. Nunca te passou pela cabeça que ele poderia não estar mentindo somente para os amigos dele, familiares ou pra você em algumas coisas, mas poderia estar mentindo em muitas outras coisas? 

Ele nunca te proibiu de sair, de se divertir, mas sempre que você saía até pra ir visitar sua amiga sem dizer a ele, o que ele fazia sempre era ir atrás de você para saber o que você estava fazendo. E nessas horas era grosso com você e tinha ataques de ciúmes. E você aceitava o fato dele ter a liberdade de sair para todos os lugares e falar com quem quisesse, talvez só não com algumas pessoas que você proibira por "descontar" o que ele fazia. Tudo isso você me contava. Será que isso justifica o porquê você não gosta mais de sair?. E para passear os dois quantas vezes vocês brigavam quando saiam para se divertir? Muitas. E quantas vezes você achava entediante sair para os mesmos lugares e o fato dele não saber conversar com você? Muitas. Depois dessas atitudes você perdeu a vontade de sair para outros lugares. Ele teve ou não teve certa influência nisso? Sozinha ele ia atrás e não tinha liberdade, acompanhada era um terror.

Sabe quando você ler essa carta, me mande respostas, a última você não me respondeu. Foi bom ter ido ficar com você alguns dias para conversarmos pessoalmente, mesmo que poucas vezes. Não fique com raiva de mim... eu sofro com toda essa situação, só quero poder ajudar, te fazer refletir e não me perdoaria se eu não te dissesse nada. Saiba que te amo.